Há uma semana (sexta, 22
de novembro), cerca de oito e meia da noite, me encontrava no ponto de ônibus
em Araruama próximo a faculdade em que estudo esperando o ônibus para Rio Bonito.
Todos que se encontravam no mesmo ponto se foram e eu continuei ali esperando,
sozinha, em um local escuro e com uma garoa insistente. De repente, chega uma
senhora, engraçada até, falando alto comigo: “Minha filha, ajuda a tia! Minha
afilhada ficou de me encontrar naquele trevo. Está escuro, chovendo e ali é
perigoso. Não consigo falar com ela pelo celular. Sou do Rio e não conheço nada
aqui. Te dou até um dinheirinho.”
Confesso que eu estava em
um mau humor terrível naquele dia. Varias coisas na cabeça, cansada e ainda ia
encarar uma pequena viagem. Mas fiquei com pena daquela senhora perdida a noite
em um lugar que não conhecia. E em um lugar perigoso pelo trafego de carros. Ela me entregou seu celular para eu tentar ligar
para a tal afilhada. O desespero a fez confiar plenamente em uma estranha. Fiz
o possível e o impossível, mas não consegui ajudá-la. A ligação não completava.
Ela resolveu voltar para a rodoviária e retornar para o Rio. E eu concordei,
afinal, não tinha alternativa cabível. Quando ela estava indo embora, o celular
dela tocou e era a afilhada. Tentei explicar onde ela estava e ela disse “Fala
com ela minha filha...” E novamente me entregou o telefone.
Expliquei para a mulher
do outro lado o que havia acontecido e onde seria o melhor lugar para encontrar
a senhora, que a essa altura fumava incontrolavelmente. Tudo resolvido me
sentia aliviada, afinal, consegui ajudar. Nesse momento ela retira R$10,00 de
uma bolsinha e insiste para que eu aceite, pois eu a ajudei e se não fosse eu
ela ainda estaria perdida e sem saber o que fazer. O valor parece pequeno, mas
para quem tinha no bolso apenas os R$ 5,00 da passagem, esse dinheiro seria muito
bem vindo. Mas recusei, não por orgulho ou qualquer coisa, mas a gratidão e o fato
de ter feito algo por ela já me bastavam. E todo aquele mau humor dentro de mim
se esvaíra. E uma felicidade imensa me invadiu.
Contei toda essa situação
por um simples motivo. Nessa noite fiquei pensando: seria tão bom se todos
fizessem algo por alguém sem esperar nada em troca. Acredito que precisamos
disso, mais amor ao próximo e como diz o poeta “... amor é estado de graça, e
com amor, não se paga.” Precisamos mais da caridade pelo outro. Imagine uma
vida onde todos se ajudassem... E só quando aprendermos isso, o mundo vivera em
paz, dentro e fora de nós.
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