terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A IDADE DO AMOR


Dia desses estava na rodoviária de Rio Bonito, cidade situada há alguns quilômetros do Rio de Janeiro. Enquanto esperava meu ônibus para Araruama, um casal jovem passa por mim. A mulher com um vestido, pois fazia muito calor, e com saltos altíssimos, o rapaz ainda sem a camisa que vestiria. Sentam-se em um banco próximo a mim. Em seguida vejo que ele dá alguns trocados para a moça e ela sai pela rua de paralelepípedos, com seus sapatos altos, atravessa a rua movimentadíssima de ônibus, quem é mulher sabe como é difícil andar rápido em uma rua sem asfalto de salto. Ela retorna com uma garrafa gelada de Coca-Cola e entrega o troco e a garrafa ao aparente namorado. Observei com estranheza àquela cena.
Ao entrar no ônibus, logo depois de mim entrou um senhor, com seus cabelos bem grisalhos, aliás, grisalhos é pouco, ele tinha seus cabelos totalmente brancos. Uma graça! Pegou seu celular na pochete que carregava e ligou para, provavelmente, sua esposa, e disse em alto som: “Alô, amor?! Estou morrendo de saudades de você! Tem algo para comer aí? Estou levando algumas coisas para comer.” Claro que a senhora do outro lado respondia a ele. Suas palavras eram apenas de preocupação e cuidado. Perguntava sobre como estava, se precisava de algo. Ao fim disse: “Tá bom, já estou chegando. Te amo. Estou com saudades!”
Choquei-me ao comparar os dois casais. Um casal provavelmente casado há tempos, ainda trocava afetos ao telefone, sentiam saudades e não tinha vergonha ou achavam clichê dizer isso um ao outro. Enquanto em um casal jovem, não conseguia ver sequer a gentileza do rapaz para com a mulher que lhe acompanhava.
Uma pena que há pessoas que dizem que não existe amor para sempre. Eu ainda acredito nele. Apenas muitos ainda não encontraram alguém que valesse a pena ser para sempre. Em um amor (?) que começa sem gentilezas, palavras de carinho, flertes, preocupações e pequenas coisas clichês, não se pode esperar muito. A partir daí o eterno torna-se até daqui a pouco.

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