Dia desses estava na rodoviária de Rio Bonito, cidade
situada há alguns quilômetros do Rio de Janeiro. Enquanto esperava meu ônibus
para Araruama, um casal jovem passa por mim. A mulher com um vestido, pois
fazia muito calor, e com saltos altíssimos, o rapaz ainda sem a camisa que
vestiria. Sentam-se em um banco próximo a mim. Em seguida vejo que ele dá
alguns trocados para a moça e ela sai pela rua de paralelepípedos, com seus
sapatos altos, atravessa a rua movimentadíssima de ônibus, quem é mulher sabe
como é difícil andar rápido em uma rua sem asfalto de salto. Ela retorna com
uma garrafa gelada de Coca-Cola e entrega o troco e a garrafa ao aparente
namorado. Observei com estranheza àquela cena.
Choquei-me ao comparar os dois casais. Um casal
provavelmente casado há tempos, ainda trocava afetos ao telefone, sentiam
saudades e não tinha vergonha ou achavam clichê dizer isso um ao outro. Enquanto
em um casal jovem, não conseguia ver sequer a gentileza do rapaz para com a
mulher que lhe acompanhava.Uma pena que há pessoas que dizem que não existe amor para sempre. Eu ainda acredito nele. Apenas muitos ainda não encontraram alguém que valesse a pena ser para sempre. Em um amor (?) que começa sem gentilezas, palavras de carinho, flertes, preocupações e pequenas coisas clichês, não se pode esperar muito. A partir daí o eterno torna-se até daqui a pouco.
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